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Seis em Sessão

Humildemente inspirado

em Irvin David Yalom

KAROLINE é determinada e muita corajosa e, por isso mesmo, tem muitos rasgos na sua vida. Ela, por ser assim, acaba permitindo muitas pequenas ‘violências’ contra si mesma. Quando decide por algo, move céus e terra e vai até o fim. Ultimamente, vem administrando uma depressão leve com tendência a passar para o grau moderado. Ela é jornalista freelancer por opção. Ainda reside com os pais que são bem economicamente. Ela não falta às sessões. É bonita, sensual, tem leveza de corpo e de alma. Saiu de uma relação afetiva que lhe trouxe muitos desgastes emocionais. Acompanhe aqui o desenvolvimento emocional desta bela mulher.

 

KAIO é um jovem que trabalha há 10 anos numa grande empresa multinacional. Tem estabilidade financeira e afetiva. Há seis anos está com a mesma namorada. Sente-se muito cansado e parece estar adquirindo a síndrome do pânico. Ele também não falta às sessões e sempre é muito falante. Gosta de esporte, especialmente, futebol.

 

KIARA é muito tímida. Tem uma incrível inteligência emocional e também para aspectos mecânicos e técnicos da vida. Ela reside apenas com sua avó que já é muito idosa. Seus pais se separaram e deixaram sombras pesadas na sua psique. Ela, às vezes, falta às sessões por ter que acompanhar a avó ao médico. Mas está determinada a tirar as sombras do seu emocional e voltar a ter alguma paz com seus difíceis pais, que, apesar de residirem na mesma cidade, poucas vezes se veem durante o ano.

 

KARL e KAMILA são casados há 23 anos. Tem três filhos, dois adolescentes gêmeos e a filha mais velha com 20 anos. É a típica família ‘feliz’, socialmente integrada e culturalmente elevada. Gostam de carros modernos, cachorros caros e residem numa casa muito confortável em um condomínio fechado em zona rica da cidade. Tem um amplo apartamento numa bucólica praia no litoral, onde poucas vezes vão lá durante o ano. Eles estudaram sete anos na Inglaterra, em Londres, logo após o primeiro ano de casamento. Ele fez uma especialização em neurologia, sua área na medicina moderna. Ela estudou artes e se graduou em arte moderna contemporânea. A filha nasceu em Londres e por isso fala fluentemente o inglês britânico.

 

KAZUMI ficou viúvo recentemente. Sofre com dolosa depressão e o luto que ele não esperava ainda por ora. Tem um único filho que há mais de 30 anos vive em Tóquio e não pensa em voltar para o Brasil. Mora sozinho em ampla casa de dois pisos e tem a cada semana mais ideação de suicídio. Seu quadro emocional é gravíssimo e sua vida está de fato muito caótica.

 

Aqui você vai acompanhar o mundo emocional desses seis pacientes, que se são reais ou fictícios, ou as duas coisas, fica para o final desta narrativa psicoemocional. O interior de cada uma dessas pessoas precisa de muita claridade e suas ações pedem reorganização e melhor equilíbrio.

 

Seja então bem vindo(a) a essas histórias humanas com altos e baixos, como a minha história, e certamente como a sua também.

 

Grande abraço do Psicoterapeuta desta humilde narrativa!

Karoline, 42 anos - Kaio, 27 anos  -  Kiara, 21 anos  - Kamila, 48 anos e Karl, 52 anos - Kazumi, 73 anos.

Mudanças X ciclo menstrual!

Karoline chegou esbaforida e seu ar era de tensão. Daquelas tensões que deixa a pessoa com uma espécie de "arritmia" sem fim. Sua respiração era curta e me levava a imaginar que teria problemas pulmonares. Mas conclui em segundos que era fruto mesmo da poluição que todos respiram. Eu desejei boas vindas à sessão e perguntei 'terapeuticamente':

- Você saiu daqui, na semana passada calma, bem centrada. Agora você retorna tensa e parece muito triste. Está tudo bem com você?

- Não! Hoje alcancei o ápice da tensão. Sabe quando a   gente é bombardeada por todos os lados?

- Você está falando de quando somos incompreendidos ou não levados a sério. É isso?

Ela se reorganizou na cadeira. Colocou sua pequena bolsa sobre o sofá terapêutico que estava à sua frente, abriu-a e tirou um papel onde estava anotado palavras em certa desordem como se anotadas às pressas em qualquer folha rascunho. E então, com um olhar firme, tenso e frio, disse:

- Nesses das fui desafiada pela minha melhor amiga e ela simplesmente me tirou do sério. Quer que eu não mude para outro bairro. Acha que lá ficarei muito só. Acha ela que é melhor alugarmos a casa que compramos e continuar residindo aqui. Meus pais são meio sonsos e não aceitam essa ideia. Eu não sei bem o que fazer no momento. Na verdade, não é para mim momento de mudança de casa. Sinto-me muito fragilizada, insegura, confusa e desorientada.

- Seu ciclo menstrual está em dia?

A sessão então começou...

  

 Sou mesmo um tipo entusiasta

 

Sua calça jeans era muito folgada e suas tatuagens espalhadas do pescoço aos braços e mãos indicavam que ele era meio exótico, se é que existem pessoas nessa "tabela". Mas se 'exótico' é também algo estranho, é o que ele parecia no consultório de psicoterapia. Ele parecia calmo, centrado, e com um sorriso largo.  Desejei muito boas vindas à sessão e fiz a pergunta típica de inicio de sessão:

- O que vem funcionando bem na sua vida e o que não, no momento?

- O que está bem é a relação com minha mãe. [Nesse momento ele focou bem num quadro de Simone de Beauvoir que tenho na parede] Desde que estou aqui ,na psicoterapia, ela tem me dado um pouco mais de folga, tem soltado "as cordas" e até fala mais e melhor comigo. Ontem mesmo na janta ela não me encheu o saco como sempre faz nos últimos 16 anos. 

  

- O que houve de diferente ontem para ela não ter cobrado nada de sua parte?

- Pela primeira vez eu jantei sem colocar os pés sobre o sofá branco gelo dela. Tirei os tênis velhos e fiquei só com as meias, apesar de estarem muito sujas. Uma super dose de chulé infestou a sala toda. Mas ela ficou bem maneira. Não disse nada como sempre faz de forma super histérica.

- Certamente sua mãe decidiu usar agora de sua reserva de paciência para com você.

- Mas ela ainda tem reserva de paciência?

A sessão então começou...